Saturday, April 29, 2006

MOLUSCOS: Caramujos , Conchas e Lula Gigante






MOLUSCOS
Caramujos,conchas e lula gigante

por Paulo Aníbal G. Mesquita
pauloanibal@yahoo.com.br
Fone:(0xx11) 9679-2160

O Filo Mollusca inclui uma grande variedade de animais, muitos dos quais bem conhecidos pelas suas conchas decorativas, na alimentação humana, como as lulas, ou nos nossos quintais, como os caracóis. Os moluscos possuem corpo mole, muitas vezes dividido em cabeça com órgãos dos sentidos, um pé visceral e um manto que protege uma parte do corpo e que muitas vezes secreta uma concha. A maior parte dos moluscos são aquáticos, mas existem muitas formas terrestres. A biologia dos moluscos é estudada pela malacologia, mas as conchas - ainda do ponto de vista biológico, não do ponto de vista dos coleccionadores - são estudadas pelos concologistas. O filo Mollusca é o filo com a maior diversidade de espécies depois dos Artrópodes (cerca de 50.000 espécies viventes e 35.000 espécies fósseis) e inclui uma variedade de animais muito familiares. Essa popularidade se deve, em grande parte, às conchas desses animais que servem como peças para colecionadores. O filo abrange formas tais como as ostras, as lulas, os polvos e os caramujos, entre eles, um parasita africano - "Achatina fulica".

CARAMUJO GIGANTE (Achatina fulica)
Conhecido comumente como caramujo africano, seu nome científico é Achatina fulica, foi introduzido ilegalmente no Brasil inicialmente no estado do Paraná há cerca de 20 anos atrás como alternativa econômica ao escargot por um servidor da Secretária de Agricultura. A segunda introdução teria ocorrido no porto de Santos por um servidor público em meados da década de 90, que montou um Heliciário na Praia Grande, no qual promovia cursos de final de semana. O fracasso das tentativas de comercialização levou os criadores, por desinformação, a soltar os caramujos em nossas matas. Como se reproduz rapidamente e não possui predadores naturais aqui no Brasil, hoje tornou-se uma praga agrícola e pode ser encontrado em praticamente todo o país, inclusive nas regiões litorâneas, como no litoral sul do estado de São Paulo, onde constatamos sua maciça invasão. Porém, há uma grande polêmica quanto à possibilidade desse caramujo de transmitir doenças, mas a única doença conhecida que ele pode transmitir é uma meningite branda - conhecida tecnicamente como angiostrongilíase meningoencefálica, transmitida por um verme nematóide (Angiostrongylus cantonensi ) existente na África e na Ásia. O hospedeiro que transmite este verme ao caramujo é o rato, da mesma maneira que ele transmite à outros caracóis e rãs, e como esse verme não foi detectado no Brasil, então é remota a possibilidade dessa doença se instalar em nosso território, porém há notificação de casos em Cuba, Porto Rico e Estados Unidos. Entretanto, o caramujo possui um ótimo sistema imunológico de defesa, o seu muco, com forte ação microbiana que já foi detectada por pesquisadores japoneses. O outro verme que alguns citam é o Angiostrongylus costaricensis, que ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, e pode ocasionar um quadro infeccioso abdominal aguda grave, mas raramente a doença evolui para forma letal, permanecendo na maior parte das vezes assintomática ou comportando-se como uma parasitose comum. "Conhecida como angiostrongilose abdominal, no Brasil essa doença é transmitida por caramujos nativos, e não pelo gigante africano; na região sul do país encontra-se a maioria dos casos. Não há registro de exemplares de A.fulica adultos naturalmente infectados no Brasil, porém, as larvas podem se infectar através da ingestão de hortaliças contaminadas com o muco deixado pelo molusco adulto silvestre ao se movimentar. Por isso é que devemos lavar as verduras em água corrente e depois deixar as mesmas em molho, bastando colocar apenas uma colher de sobremesa de água sanitária em um litro de água e deixar os alimentos em molho por durante 15 minutos. Devido ao seu sucesso reprodutivo, pois pode colocar até 400 ovos em cada postura, se espalhou por diversas regiões brasileiras, além do mais alimentando-se vorazmente de diversos vegetais de consumo humano poderia virar uma praga agrícola; por isso que um parecer técnico 003/03 publicado pelo Ibama e pelo Ministério da Agricultura em 2003, considera ilegal a criação de caramujos africanos no país, determina a erradicação da espécie e prevê a notificação dos produtores sobre a ilegalidade da atividade. Este parecer vem reforçar a Portaria 102/98 do Ibama, de 1998, que regulamenta os criadouros de fauna exótica para fins comerciais com o estabelecimento de modelos de criação e a exigência de registro dos criadouros junto ao Ibama; na realidade praticamente tosos os moluscos são comestíveis, como por exemplo, o escagort, ostra, mexilhão, lula, polvo, etc. No entanto, é preciso que haja todos os procedimentos sanitários e cuidados na criação destes caramujos em cativeiro (helicicultura) como qualquer outra forma de criação de animais para o consumo humano, pois todos aqueles que fazem criação de animais sabe que se não houver os cuidados necessários, eles podem ser transmissores de doenças por contaminação externa, como por exemplo no caso da criação de bois e vacas que pode transmitir graves doenças, tais como a tuberculose, a brucelose, botulismo, a febre aftosa e até a doença da vaca-louca.
Curiosidade:
Este caramujo é um animal hermafrodita, ou seja, possui no mesmo corpo órgãos sexuais masculinos e femininos, e pesa em média 200 gramas, medindo em média 15 cm de comprimento. Sua concha é alongada e rajada, com cores bege e marrom. Na fase adulta, atingida após um ano de vida, o Achatina pode colocar até 400 ovos a cada ano e o período de incubação leva de 1 a 15 dias. Desenvolve-se muito bem em regiões de clima quente, como nas matas, em regiões sombrias e bastante úmidas como nas proximidades de córregos, rios, lagos e alargados. Vive em média cinco anos.
O combate:
Primeiro é preciso identificarmos corretamente o caramujo africano para não haver qualquer confusão com as espécies nativas, posteriormente pegamos o exemplar com luva ou saco de plástico para evitarmos o contato direto com ele, e colocar sal ou cloro sobre o mesmo; também pode-se esmagá-lo, e não devemos de esquecer de destruir seus ovos no solo com uma vassoura de grama. Quando chove muito muita região infestada, é comum observarmos os caramujos subindo as paredes, então, é uma boa oportunidade para destruí-los. È preciso observar o local que foi infestado por eles por pelo menos três meses para verificação das reinfestações. O combate químico com o uso de pesticidas não é indicado, pois o produto pode contaminar o solo, a água e até o lençol freático, podendo assim, levar a intoxicação dos animais e do ser humano - além disso, o mais grave é que o tal molusco pode ser resistente a vários pesticidas.

LULA GIGANTE (Architeuthis)
A lula gigante é o maior invertebrado que existe atualmente no planeta Terra (chega a 20 metros) e também possui o maior olho do reino animal (mais de 20 cm de diâmetro) - As lulas gigantes são um dos mitos mais difundidos pelos pescadores ao longo dos séculos e grandes serpentes são lendas muito difundidas pelos os índios brasileiros, em ambos podemos detectar na natureza à existência de animais que poderiam ter inspirado à imaginação, mas mesmo assim encontramos fatos misteriosos. Um caso conhecido foi em 30 de novembro de 1861, a tripulação da corveta francesa (Alecton), que seguia de Cádis para Tenerife, tentaram capturar uma lula cujos tentáculos mediam quase dois metros de comprimento e seu corpo mais de cinco metros, onde travaram uma luta. Mas a Academia de Ciências da França, na época, concluiu que as testemunhas haviam sofrido uma alucinação coletiva; estavam totalmente errados, pois essa lula realmente existe nas profundezas oceânicas. Há referências de relatos de criaturas bem maiores em 1800 por pescadores escandinavos, na famosa obra de Júlio Vener, "Vinte Mil Léguas Submarinas", cita-se um ataque da lula gigante no submarino do capitão Nemo. Três pescadores relataram em 02 de novembro de 1978, uma enorme lula na região de Terra Nova (CA), cujo o corpo tinha 6 mts de comprimento e tentáculos com quase 11 metros cujas ventosas possuíam cerca de 10 cm de diâmetro, mas há referências por parte de navios baleeiros que relataram cachalotes(inimigo natural desta lula) capturadas com cicatrizes de ventosas com quase 50 cm de diâmetro, sugerindo à existência de lulas ainda maiores, com mais de 40 metros( Será?).O maior exemplar já documentado, foi um achado numa praia da Nova Zelândia em 1880, com 20 metros de comprimento e aproximadamente 1 tonelada. Na realidade essa lula é um molusco do gênero Architeuthis (classe cefalopoda), que detém atualmente o "record" de ser o maior invertebrado vivente no planeta, que também possui o maior órgão de visão(olho) do reino animal, chegando a mais de 25 cm de diâmetro, com córnea, cristalino,câmara anterior-posterior e retina com bastonetes. Então, pode formar uma imagem real e nítida. Pouco se conhece do comportamento deste fascinante animal e talvez só apareça na superfície quando esta para se desfalecer. Parece que há muitas confusões entre os mitos da lula gigante e as supostas serpentes gigantes marinhas, em julho de 1734, o norueguês Hans Egede, durante uma viagem de navio até a colônia da Boa Esperança(Groenlândia), descreve um ser marinho que se elevou acima dos mastros da embarcação com um "focinho" comprido e barbatanas largas. Entre as lendas que envolvem as serpentes marinhas, a mais terrível era o "Kraken", citado na publicação de Erick Pon Toppidan, "História Natural da Noruega", em 1755, com dezenas de metros de comprimento. Um relato publicado na "Illustraded London News", em 20 de novembro de 1875, o comandante Drevar, do navio "Pauline", descreve uma luta mortal entre uma serpente e uma baleia cachalote em algum ponto da costa brasileira. Será que era uma serpente mesmo? mas pelas pesquisas de Paulo Aníbal G. Mesquita, era a gigante lula Architeuthis.

AS CONCHAS
A concha é um órgão rígido, muitas vezes externo, característico dos moluscos. A morfologia da concha é uma das características usadas para classificar estes animais:
Os bivalves, como o nome indica, têm uma concha formada por duas peças;
Os gastrópodes, como os caracóis, têm geralmente uma concha assimétrica, muitas vezes enrolada em espiral; mas as lesmas podem ter um rudimento de concha interior;
Os cefalópodes, como o choco, têm uma concha interna, mas o Nautilus possui uma concha exterior.
As conchas são formadas por nácar, uma mistura orgânica de camadas de conchiolina (uma escleroproteína), seguida de uma capa intermédia de calcite ou aragonite, e por último uma camada de carbonato de cálcio (CaCO3) cristalizado.O nácar é secretado por células ectodérmicas do manto de certas espécies de moluscos. O sangue dos moluscos é rico em uma forma líquida de cálcio, que se concentra fora do fluxo sanguíneo e se cristaliza como carbonato de cálcio. Os cristaies individuais de cada camada diferem na sua forma e orientação. O nácar deposita-se de forma contínua na superfície interna da concha do animal (a capa nacarada iridiscente, também conhecida como madrepérola). Estes processos proporcionam ao molusco um meio para alisar a própria concha e mecanismos de defesa contra organismos parasitas e dejectos prejudiciais.Quando um molusco é invadido por um parasita ou é incomodado por um objecto extranho que o animal não pode expulsar, entra em acção um processo conhecido como enquistação, pelo meio do qual a entidade ofensiva é envolta, de forma progressiva, por camadas concêntricas de nácar. Com o tempo formam-se pérolas. A enquistação mantém-se até que o molusco morra.

CLASSIFICAÇÃO dos MOLUSCOS:
Caudofoveata
Aplacophora
Polyplacophora (quitons)
Monoplacophora
Bivalvia (bivalves)
Scaphopoda (dentalium)
Gastropoda (caracóis e lesmas)
Cephalopoda (lulas, polvos)

Paulo Aníbal G. Mesquita
pauloanibal@yahoo.com.br
BIÓLOGO & PROFESSOR
Fone: (0xx11) 9679-2160

1 Comments:

Blogger baratas said...

ok!

11:57 AM  

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